sábado, 29 de novembro de 2014

O QUE MAIS TEM NESSE PACOTE?

Tumblr: Wanderlust
Ser bonito* dói. Para algumas pessoas, em certas ocasiões.

Quando você não gosta de garotas, mas é bonito, a maioria delas gosta de você. Quando você está num lugar em que não pode ou simplesmente tem medo de ser quem é, de nada adianta garotos gostarem de você -- ou ele ou você não vai dar o segundo passo. Quando um desconhecido vem falar com você no ônibus ou em qualquer outro lugar casualmente, é difícil que o faça por educação ou curiosidade, ele tá ali, na verdade, pelo seu rosto e/ou corpo harmonioso.**

* pessoa incluída no padrão de beleza vigente.
** rosto e/ou corpo, mais uma vez, incluídos no padrão de beleza vigente.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

EU NA TV

Will e o filho dele com o Vince em "Will & Grace": Google Imagens
Desde o começo do ano que venho assistindo séries com temática gay -- ou ela é toda gay ou tem só alguns personagens ou só um mesmo. Inconscientemente ou não, toda nova série que eu escolho tem um frame homo ali no meio. E eu realmente não me interesso mesmo assim logo de cara por uma história em que eu não me sinta representado por alguém que não compartilhe da mesma sexualidade que a minha.

Nos dias de hoje, em que homossexuais, bissexuais, transsexuais, assexuais, transgêneros, travestis e demais grupos socialmente discriminados de outrora possuem cada vez mais coragem de se assumirem, seja publicamente ou para si mesmos, é imprescindível que a mídia mostre a transformação da realidade do mundo.

Evidente que iremos nos deparar com alguns deslizes, como esteriótipos e preconceitos sem-intenção, mas é natural que isso aconteça. Gradualmente evoluiremos para uma sociedade madura que saiba entender a diversidade. Por enquanto, há um choque entre gerações, há preceitos sobre preconceitos, e, aqui no Brasil, principalmente, muito silêncio. O novo milênio formou pessoas mais engajadas, tolerantes, conscientes. Ninguém mais ri de qualquer piada. Ninguém mais ignora um deslize por polidez.

Eu ainda fico bobo em saber que Will & Grace -- FANTÁSTICA -- fez há anos atrás o que uma novela brasileira lutou pra conseguir fazer esses dias aê, em seu último capítulo. É tão revigorante você se ver na TV, ver que não está sozinho, que não é uma aberração, mas quem nunca teve problema com isso não consegue entender.

Uma de minhas últimas incursões foi Looking, outra série ótima. Eu só tenho um problema quanto a ela. Pra mim é uma série um tanto elitizada, branca e contida. Digo isso porque ela estreou esse ano, ou seja, num tempo em que se é permitido ousar mais do que já se tem feito. Ainda assim, ótima.

Mas de acordo com meu gosto extremamente particular, nada supera Orange Is The New Black. E Will & Grace, é claro. As duas vêm juntas. Cada uma num lado do coração.

OITNB só confirma a minha teoria de que as mulheres são seres biologicamente mais evoluídos. A série foi criada por uma mulher, com base num livro autobiográfico -- se não me engano -- de uma mulher e conta com um grande elenco feminino, por motivos óbvios -- procure conhecer a história para entender. Talvez por terem sido subjugadas há anos, elas desenvolveram essa capacidade de se aceitar nas mais diferentes matizes de sua vida e da vida de outros.

É por isso que eu acho que elas se dão bem com os gays e vice-versa. Ah, não só com os gays, mas com todos os igualmente subvalorizados.

Aos poucos, e juntos, vamos construindo uma representação sólida de nós mesmos nas diversas mídias por aí. Esse blog mesmo é uma contribuição pra isso.

À medida que consumimos esse tipo de entretenimento, ele fica mais forte e visível para todos. Eu continuarei, sem dúvidas, a consumi-lo. Você também. E várias outras pessoas, mesmo que escondidas.

Até!

domingo, 23 de novembro de 2014

OS GAYS ENRUSTIDOS DO INTERIOR

Tumblr: smljsph
É difícil conhecer alguém por aqui, porque na realidade ninguém tá muito preparado pra ser conhecido. A história de que conhecem você e seus pais e toda a sua família e você não faz ideia de quem seja tal pessoa é totalmente verdadeira. Dá medo e por isso as conversas acontecem só nos olhares.

Na academia é uma loucura. Eu, que não me acho nem um pouco bonito -- a despeito do que os outros dizem --, recebo um número considerável de eye contact. Odeio academia. O pessoal perfeitinho e eu lá, levantando 40kg no leg press. Me deixa pra baixo e os olhares não ajudam. Acho que sou o único cara que não gosta dessa putaria em academia. Porque, pessoas, lá é onde eu fico vulnerável. E eu tenho o direito de ficar vulnerável sem que ninguém faça troça disso.

Mas antes da academia, há o caminho para se chegar nela.

Terça às 9 eu estava a duas quadras do meu treino quando eu cruzei com um rapaz de camiseta preta, braço engessado, lindo. Virei o rosto e lá estava ele olhando pra mim também. Ninguém sorriu nem nada. Ele entrou na clínica de fisioterapia. O olhar foi profundo pacas e super rápido apesar de agora ter parecido acontecer em câmera lenta.

11 e 30 eu voltava da academia e ele saía da clínica. Esperei um carro que não existia passar para que eu pudesse atravessar e então ele me viu. Comecei a andar. Passamos lado a lado mais uma vez. Eu tava pouco me fodendo com o mundo à minha volta, não tava nem aí se alguém tava vendo, se estava prestes a trombar alguém -- não estava --, tudo o que eu fiz foi encará-lo. Pelo jeito aconteceu o mesmo com ele.

Dessa vez eu não olhei pra trás. Não sei se ele olhou. Eu senti um frio na barriga, uma sensação estranha, sei lá, meio que uma adrenalina, mas à medida que eu ia seguindo tudo isso ia passando.

Cheguei em casa e não parei de pensar nele. Eu tô até agora pensando nele. E eu não consegui achar ele em lugar nenhum. Parecíamos estar, nós dois, prontos pra se comer ali mesmo, e ainda assim nos perdemos. É bem provável que nunca mais venhamos a nos encontrar e eu me sinto culpado e muito triste por isso. Ele poderia ter sido o meu primeiro beijo homo, o meu primeiro relacionamento homo, o meu primeiro sexo homo.

Não foi.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

POR EXPERIÊNCIA PRÓPRIA

Tumblr: BAHAMVT
- Não conte para aquela sua amiga se ainda tiver dúvidas se deve fazer isso ou não.

TIPOS DE OLHARES


Flickr: Miro Lemos
"A partir do momento que esses olhares são mútuos, você estabelece uma relação com a pessoa, mesmo que não-verbal. Uma relação que, pela ordem natural das coisas, se espera que se desenvolva."


Tudo depende, porém, do tipo de olhar que ele te der na primeira vez.


  • RETRIBUIÇÃO:
Só me olhou porque eu olhei primeiro. Ele tava passando de boa pelo corredor e ao perceber que eu encarava, me encarou de volta apenas para não desviar o olhar como um possível sinal de fuga ou submissão. Ou seja, encarou pra dizer que não tem medo nem se deixa intimidar por mim. Orgulho. Homem tem disso.


  • CONTEMPLAÇÃO:
Me encarou porque me achou bonito. Acontece. Por conta do machismo em que nós somos banhados todos os dias, nós homens -- principalmente os héteros --, procuramos esconder o quanto ficamos desconcertados quando achamos um outro exemplar do mesmo gênero... bonito. Por isso que vez em quando dá esse susto. Você olha mesmo. Sem segundas intenções. Só porque é bonito e é agradável de olhar.


  • EXPERIMENTAÇÃO:
Decidiu me encarar apenas pra ver aonde vai dar. Pode ser que, de repente, quis saber até que ponto eu ou até mesmo ele próprio poderia chegar. Isso talvez lhe dê um prazeroso frio na barriga. Lhe apresente uma fuga fácil de sua rotina entediante. O faça ter uma nova sensação.


  • ZOAÇÃO:
Me encarou pra tirar uma com a minha cara. Sabia que faria com que eu me envolvesse e queria inflar um pouco o próprio ego, tirando sarro do viadinho do 3º D. Provavelmente ele é do tipo comedor de menininhas, que disputa com os amigos quem ganha mais curtidas no Facebook ou Instagram e que pensa que é superior àqueles que fogem do padrão HOMEM-HÉTERO.

  • AFIRMAÇÃO:
Encarou porque é gay e gosta de homens. O que a gente sempre espera. Afinal, o olhar é o começo de todo relacionamento -- a maioria deles. Até mesmo dos heterossexuais. A possibilidade é grande de ao encarar de volta ele ter querido dizer: sim, vamos adiante.

Ah, professor-bonitão...

segunda-feira, 31 de março de 2014

ENTRE OS DOIS

Tumblr: SMF
Por mais que eu gaste aqui uns dois ou três parágrafos tentando explicar, eu não vou conseguir, pois esse é o tipo de coisa que só quem presencia percebe.

Aquele olhar que é mais que um olhar e ninguém enxerga. E o mundo continua a girar e esse é só mais um acontecimento ordinário. Mas não pra você, que sabe que aquilo é pra você. E que há toda uma conversa por aquelas entrelinhas, que você e ele estabelecem em segredo.

Não há sorriso. Não há aproximação. Só tem os olhares mesmo. E tá tudo bem.

Mas eis que na semana seguinte, ao se cruzarem no corredor, não há mais olhares. O que aconteceu?, você se pergunta, já achando que ele perdeu todo o interesse em você e que sem se dar conta você deve ter dado alguma mancada.

Você volta pra casa, ouve um pouco de Tim Maia, Lana Del Rey, outro indie tristezinho aí e minutos mais tarde tenta se convencer de que ele deve estar passando por problemas pessoais, travando dentro dele próprio uma luta entre o certo e o errado de se interessar por um aluno que provavelmente é menor de idade.

Na próxima semana, porém, as coisas não voltam ao normal e os olhares são só de um lado das partes. Você fica arrasado. Volta pra casa, mais música melancólica. Dessa vez nada adianta e você se sente abandonado e é obrigado a esperar pela semana que virá.

Sério, às vezes eu só queria chegar pra ele, num daqueles momentos em que o lugar se encontra deserto, e dizer que eu não sou mais menor de idade, que eu to muito afim dele e que gostaria de saber o que todos aqueles olhares significaram e que se ele não quiser nada, tudo bem, só me avise pra que eu possa seguir em frente.

"Ah, mas se o interesse começou com o olhar correspondido, então o desinteresse fica explícito quando o olhar se desencontra!"

Na boa, eu não acredito nisso.

A partir do momento que esses olhares são mútuos, você estabelece uma relação com a pessoa, mesmo que não-verbal. Uma relação que, pela ordem natural das coisas, se espera que se desenvolva.

Interromper a relação no meio, sem dar satisfações, é como receber um balde de água fria!

Teria eu o direito de me aproximar mesmo assim? Seria se machucar em vão?

Pelo direito de continuar se fazer perceber, os outros, ao redor,  ganhariam o olho capaz de ver tudo também?

Até!

domingo, 30 de março de 2014

PARÁGRAFOS ABSTRATOS

Tumblr: Let Go And Love Life
Prestes a completar 18 anos, a mente pipoca de novas preocupações. Bem como os outros te incomodam com perguntas. E o mundo te surpreende com obrigações.

Como se eu já não precisasse lidar com todas as dores de cabeça causadas pelo estresse dos estudos pré-vestibular, agora eu preciso lidar com a verdade inegável de que eu sinto atração por homens, não consigo mais transar com minha "namorada" e estou num sério relacionamento de troca de olhares com o professor-bonitão do primeiro ano. Para ser preciso aí já são três verdades inegáveis.

Em um ano eu senti que passei a me levar mais a sério, passei a me respeitar mais e consequentemente a respeitar as pessoas à minha volta.

Nisso, consegui reconhecer o meu lado homossexual que sempre negligenciei, tornando-o mais real, mais palpável. Apesar de ainda não ter contado pra ninguém e gelar com a ideia, acredito que hoje estou aprendendo a encará-lo. Aos poucos, é verdade. Mas estou. Vejo esse blog como uma prova disso.

Apesar de ainda estar imensamente inseguro em postar sobre a minha vida, mostrar a minha foto -- mesmo que eu esteja irreconhecível -- e escancarar o meu interior, concluo que é o melhor a se fazer. Até mesmo como uma espécie de terapia.

Dialogar com pessoas que passam pelo mesmo problema também é mais um grande motivo. Além de compartilhar com elas as experiências pelas quais eu espero viver. Ainda por cima eu pretendo crescer, aprender e entender todos os detalhes desse novo mundo com quem estiver disposto a fazer o mesmo.

[NOTA: olhe só, você, minha escrita não é lá aquelas coisas, já que eu vou escrevendo o que me vem à cabeça, mas eu estou treinando pesado pra melhorar. Então por mais que os parágrafos pareçam abstratos demais, eles carregam um significado. Espero que ao longo do tempo -- conforme eu vá escrevendo -- os textos melhorem e a leitura seja mais agradável].

Até!