segunda-feira, 31 de março de 2014

ENTRE OS DOIS

Tumblr: SMF
Por mais que eu gaste aqui uns dois ou três parágrafos tentando explicar, eu não vou conseguir, pois esse é o tipo de coisa que só quem presencia percebe.

Aquele olhar que é mais que um olhar e ninguém enxerga. E o mundo continua a girar e esse é só mais um acontecimento ordinário. Mas não pra você, que sabe que aquilo é pra você. E que há toda uma conversa por aquelas entrelinhas, que você e ele estabelecem em segredo.

Não há sorriso. Não há aproximação. Só tem os olhares mesmo. E tá tudo bem.

Mas eis que na semana seguinte, ao se cruzarem no corredor, não há mais olhares. O que aconteceu?, você se pergunta, já achando que ele perdeu todo o interesse em você e que sem se dar conta você deve ter dado alguma mancada.

Você volta pra casa, ouve um pouco de Tim Maia, Lana Del Rey, outro indie tristezinho aí e minutos mais tarde tenta se convencer de que ele deve estar passando por problemas pessoais, travando dentro dele próprio uma luta entre o certo e o errado de se interessar por um aluno que provavelmente é menor de idade.

Na próxima semana, porém, as coisas não voltam ao normal e os olhares são só de um lado das partes. Você fica arrasado. Volta pra casa, mais música melancólica. Dessa vez nada adianta e você se sente abandonado e é obrigado a esperar pela semana que virá.

Sério, às vezes eu só queria chegar pra ele, num daqueles momentos em que o lugar se encontra deserto, e dizer que eu não sou mais menor de idade, que eu to muito afim dele e que gostaria de saber o que todos aqueles olhares significaram e que se ele não quiser nada, tudo bem, só me avise pra que eu possa seguir em frente.

"Ah, mas se o interesse começou com o olhar correspondido, então o desinteresse fica explícito quando o olhar se desencontra!"

Na boa, eu não acredito nisso.

A partir do momento que esses olhares são mútuos, você estabelece uma relação com a pessoa, mesmo que não-verbal. Uma relação que, pela ordem natural das coisas, se espera que se desenvolva.

Interromper a relação no meio, sem dar satisfações, é como receber um balde de água fria!

Teria eu o direito de me aproximar mesmo assim? Seria se machucar em vão?

Pelo direito de continuar se fazer perceber, os outros, ao redor,  ganhariam o olho capaz de ver tudo também?

Até!

domingo, 30 de março de 2014

PARÁGRAFOS ABSTRATOS

Tumblr: Let Go And Love Life
Prestes a completar 18 anos, a mente pipoca de novas preocupações. Bem como os outros te incomodam com perguntas. E o mundo te surpreende com obrigações.

Como se eu já não precisasse lidar com todas as dores de cabeça causadas pelo estresse dos estudos pré-vestibular, agora eu preciso lidar com a verdade inegável de que eu sinto atração por homens, não consigo mais transar com minha "namorada" e estou num sério relacionamento de troca de olhares com o professor-bonitão do primeiro ano. Para ser preciso aí já são três verdades inegáveis.

Em um ano eu senti que passei a me levar mais a sério, passei a me respeitar mais e consequentemente a respeitar as pessoas à minha volta.

Nisso, consegui reconhecer o meu lado homossexual que sempre negligenciei, tornando-o mais real, mais palpável. Apesar de ainda não ter contado pra ninguém e gelar com a ideia, acredito que hoje estou aprendendo a encará-lo. Aos poucos, é verdade. Mas estou. Vejo esse blog como uma prova disso.

Apesar de ainda estar imensamente inseguro em postar sobre a minha vida, mostrar a minha foto -- mesmo que eu esteja irreconhecível -- e escancarar o meu interior, concluo que é o melhor a se fazer. Até mesmo como uma espécie de terapia.

Dialogar com pessoas que passam pelo mesmo problema também é mais um grande motivo. Além de compartilhar com elas as experiências pelas quais eu espero viver. Ainda por cima eu pretendo crescer, aprender e entender todos os detalhes desse novo mundo com quem estiver disposto a fazer o mesmo.

[NOTA: olhe só, você, minha escrita não é lá aquelas coisas, já que eu vou escrevendo o que me vem à cabeça, mas eu estou treinando pesado pra melhorar. Então por mais que os parágrafos pareçam abstratos demais, eles carregam um significado. Espero que ao longo do tempo -- conforme eu vá escrevendo -- os textos melhorem e a leitura seja mais agradável].

Até!