segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

ME EXCITA

Tumblr: Whatever
Não importa o que esteja tocando, só o que importa é um homem dançando.

Desde o dia em que percebi o quanto dançar podia ser libertador e divertido, eu consequentemente passei a prestar mais atenção nas pessoas que o faziam. Em especial os homens. À medida que os observava, eu me pegava bastante interessado naqueles movimentos.

No interior, onde está toda minha infância e juventude, há um certo preconceito com homens que dançam. É feio pra um homem dançar qualquer coisa além do popular forró e nas festas e clubes da cidade a maioria dos caras é bastante tímida pra se soltar na música eletrônica. Nos shows, quando não têm namorada, eles são aqueles que ficam com as mãos nos bolsos olhando para o palco.

Qual é a porcentagem de masculinidade que se perde ao dançar? Pra mim, 0%.

Acho extremamente sexy ver um cara mexendo os quadris e se divertindo. E não sei o motivo exato de eu achar isso. Talvez seja por, sei lá, a dança conter uma certa carga sexual por conta dos movimentos, dos olhares, do corpo suado, da respiração ofegante, do prazer que a gente vê naquele rosto ruborizado.

Dançar, enfim, satisfaz. Não apenas quem dança.

sábado, 17 de janeiro de 2015

DO MEDO QUE EU CULTIVO

Tumblr: Cute
Quando os dois se beijaram na novela uma amiga me disse: achei desnecessário.

Eu não falei nada, apenas me compadeci de sua ignorância. Até porque é difícil argumentar com quem não está disposto a te ouvir -- embora eu acredite que essas pessoas não estão dispostas a ouvir nem a si mesmas. Apenas fiz o que a garota não fez, que foi seguir um valioso conselho daquela escritora, a Martha Medeiros:

"Fico besta com quem perde a compostura por não gostar de algo ou alguém. Tão mais simples desconectar. Não leia, não ouça, não prestigie. Dê atenção ao que tem sintonia com você. E toque sua vida, sem agredir."

Muito drama seria poupado. E foi, nesse caso.

Contudo, apesar de eu ter contribuído por um momento a mais de paz nesse mundo, eu não deixei de pensar que bela idiotice minha amiga acabara de dizer. Afinal, como alguém que possui todos os privilégios da heteronormatividade pode saber o que é necessário ou desnecessário para um grupo social ao qual não pertence?

Provavelmente ela nunca terá que encarar o preconceito de alguém ao postar aquela foto no Instagram, na qual ela e o namorado estão amorosamente abraçados. Ela nunca terá medo de andar de mãos dadas na rua com ele. Ela nunca precisará ter aquela conversa com a família ou vice-versa.

Nunca pelo simples fato de ser hétero, eu digo.

Acredito, por outro lado, que quanto mais pessoas se assumem homo, trans, bi, etc., e falam sobre o assunto, ele deixa de ser tabu e o preconceito vai tendo que, aos poucos, ser engolido quando não superado. E essa é uma luta que todos nós que nos identificamos sexualmente oprimidos deveríamos assumir. Sinto que é o que eu deveria fazer.

O medo que a gente deixa crescer, porém, não é nada além do que cultivado. Não estou negando os riscos de se expor, longe disso. Só me encontro nessa vibe meio filosófica de achar que quanto mais nos omitimos, menos legítima nossa luta pessoal se torna. E não defendo a técnica de chutar o pau da barraca, não, mas precisamos parar de regar esse medo e encontrar sua raiz para que enfim possamos cortá-la.

Porque um dia eu ainda vou andar de mão dada com o cara que eu estiver gostando, e vou postar nossas fotos no Instagram e alguém vai olhar pra mim de uma forma estranha e eu vou achar que é por conta do meu cabelo bagunçado ou da minha cara de "foda-se".

Até!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

UM DIA DÁ CERTO?

Tumblr: Cute
- Então eu vou ter que olhar uma criança de 4 anos? E como funciona esse lugar aí?
- O clube faz essa semana cheia de brinquedos e brincadeiras.
- Por conta das férias.
- Uma semana!
- Das 1h às 5h.
- Putz! Sol de rachar.

1º DIA
- Porra! O lugar tá cheio.
- Pelo jeito todos os brinquedos são infláveis e cheios de água e sabão.
- Ela me disse que as crianças são divididas em grupos por idade.
- Cada grupo possui três monitores.
- Vamos procurar o seu, criança.
- O bonitinho ali de boné é um dos monitores do nosso grupo? Beleza.
- Significa? Quer dizer, ele não solta a mangueira.
- HAHAHA!
- Vamo' molhar essa camiseta aí?
- Ele tá falando comigo ou com você, criança?
- Bem melhor.
- Comigo. Tô molhadão agora, legal.
- Sorria aí, todo mundo fala que seu sorriso é bonito!
- Sorriu de volta. Acho que ele curte. A gente percebe essas coisas no olhar.
- O cara é exibido, fala com todo mundo, ri alto... Estilo pegador.
- Olha aí, tirou a camiseta pra torcer.
- Olhou de canto pra cá!
- Ou eu tô ficando louco ou ele tá tentando chamar minha atenção.
- Que corpo, hein, fera! Põe de novo, não.
- Quer torcer a sua também?
- Falando com a criança agora, é?!
- Tem horas aí, amigo?
- É impressão minha ou ele tá tentando puxar assunto?

2º DIA
- Olha ele ali de novo.
- Ainda bem que você só tem 4 anos, criança!
- Assim eu te acompanho em todos os brinquedos.
- Seu irmãozinho?
- Meu primo. A mãe dele não pode vir e pediu que eu o trouxesse.
- Que bom.
- Pois é.
- Sorria! Mas agora discreto, de lado...

3º DIA
- A mãe do XXX ligou dizendo que vai dar pra ela ir o resto da semana.
- Ah, tá, tudo bem.
- Como assim?! A gente nem trocou contatos... ou fluidos!!!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

POIS É

Tumblr: Sober Boy Tales
2015.

Muita coisa mudou, mas a sensação térmica é de que tá na mesma. Nem pra trás, nem pra frente. Indo. A namorada vai embora depois que você tem uma conversa sincera com ela -- mas não sincera demais, se é que você me entende, porque, convenhamos, nem Marcelo D2 desabafa desse jeito -- e o professor-bonitão também depois que você descobre que uma garota de Itu ganhou uma aliança dele.

Não tenho interesse em pessoas compromissadas. Sério, meio que me broxa.

Esperei quinze dias pra um primeiro post porque estava terminando minha lista mental de coisas que pretendo fazer esse ano mesmo sabendo que não vou conseguir. E não me entenda mal, isso não é negatividade, é só uma questão de não elevar -- nem um pouco -- as expectativas. Até porque uma lista que inclua academia, sexo, morar sozinho em uma nova cidade e trocar de celular precisa de muito trabalho no background pra se concretizar.

O bate-papo uol -- cuja história dá outro post -- está no grupo de hábitos diários a se eliminar, assim como a mão que alivia a tensão*. Claro que esse grupo existirá num número de dias que pode variar entre vários e muitos e apenas isso, porque nada no mundo é definitivo.

E enquanto eu tento e depois tento de novo, vou suando nesse calor fora do normal, navegando pra ver se encontro blogs tão interessantes quanto tenho encontrado e subindo aquele degrau.

*pode não parecer de início, mas você sabe do que eu tô falando.